No começo de 2019, a artesã, produtora cultural e pedagoga Raquel Motta do Amaral respondeu à apresentadora Ana Furtado, no programa “É de Casa”, sobre os custos das carteiras que confeccionava: três reais.

O programa já havia tido uma grande repercussão, mas depois que a fala virou meme no “Isso a Globo não Mostra”, do Fantástico”, o vídeo viralizou e seu Instagram saltou para 140 mil seguidores.

A jovem participou de ações com marcas como a Tim, McDonald’s, Construtora Tenda e Smart Fit, e também fez posts patrocinados em seu Instagram.

No entanto, outras dezenas de empresas usaram sua imagem sem seu consentimento e a jovem decidiu processá-los.

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Essa é a notinha(que não existe de verdade) mais é famosa no Brasil, posso dizer assim, pois em todo canto ela é conhecida e as pessoas lembram logo do meme dos R$ 3,00, representa um número tão simples, singelo chama a atenção de pessoas e Marcas faz 1ano. : Ela tem marcado a minha vida de maneira positiva e abusiva também. : Frases e insinuações como: "quem é você na fila do pão, vai receber quando a Marca quiser e não como consta no Contrato; não temos proposta de Acordo; estão usando a imagem da Raquel à torto e à direita na internet e vocês não fazem nada e então eu usei pra minha Marca também"😳 : Heim? Como? : Até onde vai o limite da ética pra se ganhar dinheiro, sobretudo na internet? : O que está acontecendo comigo, penso eu, é o reflexo da falta de união entre os produtores de conteúdos digitais. : Algumas Marcas tratam, quem se submete, com falta de respeito pois entendem que ser Influenciador digital não é profissão, não existe um sindicato ou uma associação que de fato lute e proteja os direitos dessa classe, até onde eu sei, e muitos acham que é só glamour …..mas são 8, 12 horas gravando cansativamente para sair um vídeo publicitário de 30 segundos. É trabalho e deveria ter Registro sim! : Pra quem achava que eu sou uma pobre artesã corrija-se e RESPEITE as artesãs pq nós sustentamos famílias com a nossa criatividade. : Além de artesã, com muito orgulho, , eu sou pedagoga, produtora cultural e consultora de projetos culturais e sociais e conheço os meus Direitos. : Então esse #tbt de hoje é só mais uma desabafo pois uma batalhão de gente está me enviando novas provas contra mais Marcas desse tamanho abuso que vem sendo praticado comigo. : Que isso sirva de exemplo para que as pessoas estudem, entendam seus direitos e se profissionalizem para não serem tratadas como "carne barata" nesse cruel mercado comercial brasileiro. : Parabéns e obrigada à todas as Marcas que fizeram e fazem Parceria e assinaram contrato comigo. Empresas que dialogaram, tiveram empatia e chegamos à formatos justos para todos os lados. : #naovaiterinjustica #justica #revoltada #3reais

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Segundo Raquel, de aproximadamente cem empresas, 58 já foram processadas e as demais serão em breve. A lista inclui empresas das mais variadas, como motel, drogaria e academia, a marcas como Burger King, Chiquinho Sorvetes e Rappi.

Em conteúdo no YouTube, a jovem explica sua atitude. “Esse vídeo é um pedido de ajuda e um desabafo das séries de abusos e desrespeitos que vem acontecendo faz um ano comigo”, escreveu.

Ela contou que há meses seguidores a marcam em muitos posts com marcas usando sua imagem. “Eu fiquei assustada com a quantidade. […] Dei entrada na Justiça em causas contra essas marcas que estão fazendo esse uso indevido da minha imagem. […] Estou tão indignada… que as marcas simplesmente se colocam no papel de dizerem que não cometeram crime algum. Em torno de 100 marcas só no Instagram, fora o Facebook e outras redes sociais, estão usando a minha imagem indevidamente”, disse.

Pelo Instagram, após a repercussão do processo na imprensa, ela falou novamente sobre a situação. “Você abre o seu Instagram e vê várias pessoas te marcando em publicidades com imagem sua que não foi autorizada e até vinculada a marcas que você não gostaria de vincular? Imagina a sua indignação! Agora por que comigo tem que ser diferente? Por que a minha imagem pode ser usada pra fins comerciais, sem minha autorização. Se eu me tornei pessoa pública mas continuo sendo uma cidadã e tenho os mesmos direitos que todo brasileiro?”, escreveu.

Ao PROPMARK, Raquel contou que tentou acordo extrajudicial e obteve negativas. “Na primeira empresa recebi a resposta: ‘várias marcas estão usando sua imagem sem autorização e vocês não fazem nada, então resolvi usar também’. Vimos que não haveria diálogo e iniciamos os processos, pois ficou claro que os direitos só seriam garantidos por vias judiciais”, explica.

A profissional reforça que busca de respeito como profissional e mulher. “Não subestimem a nossa capacidade de defesa.”

A discussão sobre direitos de imagem tem outros episódios recentes no Brasil. Em 2015, Chico Buarque de Hollanda processou um shopping por usar a famosa capa do álbum de 1966.

No disco, ele aparece em duas fotos lado a lado, uma sério, outra sorrindo . A peça usada no estabelecimento fazia referência ao o clima ameno do centro de compras frente às temperaturas altas de Teresina (PI).