Há exato um mês desde que retomou suas atividades, a organização do UFC faz balanço positivo tanto do período de afastamento quanto da volta ao octógono. Segundo Daniel Mourão, diretor-sênior de marketing do torneio para a América Latina, logo no primeiro mês da quarentena, em março, o número de interações nas redes sociais cresceu 57% comparado ao mês anterior, mostrando o interesse dos fãs pelo MMA.

Ainda que em casa, a audiência também teve interesse crescente em vídeos, não à toa, o número de seguidores no YouTube deu um salto de 65% entre março e abril.

Card principal do UFC Fight Night, em Las Vegas, em 30 de maio, trouxe a luta de Gilbert Burns (à esq) e Tyron Woodley – FOTO: Divulgação/ Jeff Bottari/Zuffa LLC

O cenário favorável no digital serviu como base para as estratégias e decisões que preparam o cenário para a retomada após as interrupções das lutas devido à pandemia da Covid-19. O UFC 249, no último dia 9 de maio, na Flórida (EUA), marcou não só a volta do torneio, mas também o retorno das transmissões esportivas ao vivo no Grupo Globo.

“A retomada foi muito positiva. Apenas na primeira metade de maio tivemos um crescimento próximo a 10% nas assinaturas. Os fãs estavam ansiosos e fomos um dos pioneiros no retorno das atividades, o que nos colocou em uma posição de destaque”, comenta Eduardo Galetti, vice-presidente sênior do torneio para a América Latina.

Além do pay TV e pay-per-view, com exibições no canal Combate, o torneio também reforçou as ofertas no streaming para manter o engajamento com os fãs. Por meio dos arquivos da plataforma UFC Docs, que traz séries e documentários originais de forma gratuita aos torcedores, o torneio fechou acordo com o Facebook para disponibilizar parte do conteúdo na rede social.

“Inicialmente, acreditávamos que a falta de eventos ao vivo poderia ter um impacto negativo, mas felizmente fomos surpreendidos pelo alto engajamento de nossos fãs que permaneceram ativos nas redes sociais. Nós tivemos crescimento de audiência em nossa plataforma de séries e documentários, o UFC Docs, e as audiências de TV permaneceram relevantes”, destaca Galetti.

O UFC Docs foi lançado em novembro do ano passado e, segundo Mourão, teve aceitação relevante também de um público novo para a marca. “Desde o início da quarentena, vimos um rápido crescimento de 55% no nú- mero de cadastrados, o que confirma que as pessoas em casa estão consumindo mais”.

Entre as estratégias de conteúdo para o público no digital num momento em que os eventos ao vivo ainda são restritos, o UFC também preparou abordagens usando os seus principais atletas. “O live experience virou home experience, foi para dentro de casa. Não pudemos aproximar fisicamente nossa marca e nossos atletas aos nossos fãs, então buscamos fazer isso digitalmente para os mais de nove milhões de seguidores nas nossas redes sociais”, destaca Mourão. Um desses exemplos foi a criação do quadro Em Casa com o UFC, no qual atletas falaram sobre suas carreiras e o que estão fazendo em casa no período de quarentena.

Protocolos
Com proposta de entregar 42 eventos neste ano, o torneio segue com o planejamento do calendário, adaptando as lutas a protocolos de segurança. No último dia 30 de maio, por exemplo, o torneio promoveu o UFC Fight Night Woodley x Burns, em Las Vegas, no UFC Apex, instalação construída dentro da sede do UFC. O evento foi o primeiro na cidade pós-pandemia. Por enquanto, no entanto, não está previsto o retorno da presença de público nos eventos.

Para o Brasil, Galetti explica que a organização ainda aguarda o posicionamento dos governos locais sobre protocolos e condições. Está previsto para novembro, no Rio de Janeiro, o último card no Brasil, mas, com a pandemia, a organização poderá mudar as datas. “Traremos todo o aprendizado e grande sucesso dos eventos realizados em Jacksonville e Las Vegas e faremos as devidas adequações baseando-os em protocolos locais”, finaliza o executivo.

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