“Desde a notícia sobre as novas regras da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para divulgação de medicamentos, pedidos foram cancelados e nenhum novo foi realizado pelas empresas farmacêuticas”, lamenta o diretor da Approm (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Promocionais) e executivo da BIC Graphic, Leandro Schultz, referindo-se à situação das empresas que produzem brindes para o setor, depois da proibição de entrega de produtos promocionais para médicos.
Segundo Schultz, 30% da produção das empresas, que em 2008 movimentaram R$ 6,5 bilhões, eram destinadas às indústrias farmacêuticas. “A previsão é que nos próximos seis meses (prazo estipulado para entrarem em vigor as novas regras), cerca de 40 mil funcionários sejam demitidos por causa da medida”, afirma. O valor representa 36,3% dos 110 mil funcionários que o setor emprega atualmente.
Fato confirmado por Wagner Federico, diretor operacional da Luxury, empresa de produtos promocionais que possuía, antes da divulgação das regras da Anvisa, 40% do faturamento com origem nas empresas farmacêuticas. “A situação já não estava muito boa com o início da crise econômica. Mas quando foi anunciada a proibição da Anvisa, tivemos uma forte ‘freada’ nos pedidos”, lamenta.
Federico também comenta que o “baque” foi muito rápido, pois, mesmo que o prazo para que as novas medidas entrem em vigor seja só em 30 de junho deste ano, nenhuma empresa comprará brindes depois de 18 de maio, já que não dará tempo de distribuí-los.
A empresa já demitiu 30% do quadro de funcionários, atuando hoje com 47 pessoas. “Temos de ser criativos e procurarmos outras saídas dentro do mercado. Mas também vamos buscar apoio para tornarmos essas regras mais flexíveis”, afirma Federico.
Discussão
O vice-presidente da Ampro (Associação de Marketing Promocional), Auli De Vitto, afirma que a classe é favorável à regulamentação da propaganda de medicamentos, mas acredita que alguns itens ainda são discutíveis. “O brinde cumpre um papel utilitário no dia-a-dia do médico. O que tem de ser observado é o nível de interferência que cada produto possui na prescrição do profissional. A Anvisa não considerou essa questão quando criou as regras”, comenta De Vitto.
Tanto Ampro quanto Approm reivindicam que a proibição não atinja brindes menores, como canetas, chaveiros, blocos de notas, entre outros que levam o nome de medicamentos e servem para divulgar os produtos das empresas farmacêuticas. “É diferente dar uma câmera fotográfica ou uma viagem para um médico e dar uma caneta. O que a Anvisa questiona é o papel influenciador do brinde na atuação do médico”, argumenta Leandro Schultz, da Approm.
Para discutir o assunto, membros das associações se reuniram na última semana com o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello. Segundo a assessoria da Agência, nenhum encaminhamento foi realizado sobre a questão. O próximo passo será debater o assunto com o Conselho Federal de Medicina, para apontar possíveis caminhos e alternativas e conquistar o apoio da instituição.
Regras
Além de ficar proibida a entrega de brindes para médicos, a Anvisa também anunciou em dezembro que “celebridades” não podem recomendar remédios em campanhas publicitárias. Merchandising de remédios também deixa de ser uma opção para o anunciante do setor, assim como relacionar o uso do medicamento a excessos etílicos ou gastronômicos.
As peças publicitárias deverão trazer ainda os termos técnicos escritos de forma a facilitar a compreensão do público. A resolução também proíbe usar de forma não declaradamente publicitária espaços em filmes, espetáculos teatrais e novelas, e lançar mão de imperativos como “tome”, “use” ou “experimente”.
As novas regras estabelecem ainda mensagens obrigatórias – além da já utilizada “Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado” – nos anúncios impressos, filmes e spots, sendo que nesses dois últimos, deverá conter narração do locutor com advertências relativas aos princípios ativos de 21 substâncias.
Caso os laboratórios não “andem na linha”, a multa prevista pode variar de R$ 5 mil a R$ 250 mil.
por Daniela Dahrouge
Leia também: