Márcio Oliveira: "o momento é único e importante"Vivemos um momento muito importante e muito bacana do mercado e que tem sido pauta da mídia e de eventos do nosso trade. Trata-se de uma transição, uma troca de guarda, um movimento de gerações no comando e liderança do mercado e que vem acontecendo já há algum tempo.

Entre as diversas características que marcam essa transição, e que não está restrita apenas ao mercado de agências (vide Rede Globo, editoras e muitos anunciantes do mercado fazendo exatamente o mesmo movimento), uma preocupação marcante entre os que buscam sucessores é o que chamo de “dor de dono”.

E a explicação vem da história do nosso mercado.

Esse é um setor feito por empreendedores, gente que saiu do zero, colocou o nome na porta e resolveu abrir seu negócio, gerar riquezas, construir marcas, levar comunicação e informação a toda a população, gerar empregos, pagar impostos e movimentar setores, economias que consequentemente movimentam o país.

De dentro das primeiras agências nasceram outros empreendedores que resolveram ter suas próprias agências, e assim o nosso mercado evoluiu e ultrapassou as fronteiras de nosso país conquistando o mundo. Primeiro com nosso trabalho e, hoje, com profissionais no comando de operações em vários países da América, Europa e Ásia.

Mas o que é então essa “dor de dono”? Empreendedores como Lara, Celso Loducca, Nizan, Washington, Julio Ribeiro, Os D, P e Z, Marcello e Zé Madeira sempre acordaram com uma responsabilidade enorme de construir mercado, de garantir um monte de ganha pão de um monte de gente, de sobreviver na instabilidade de um mercado volúvel, de risco como o nosso.

Mas, no lugar de se preocupar com tudo isso, o que sempre fizeram foi olhar para frente e para cima.

Quanto vale fazer marcas que ganham admiração e valor, sim, monetário? Quanto vale construir ícones que vão para a história e que deixam de ser parte de ações de comunicação para entrar para a cultura popular do nosso Brasil?

A consequência deste olhar e fazer empreendedor é dar a oportunidade para novos talentos, novos empreendedores, novos loucos do bem surgirem e brilharem.

Essa dor do cuidado e o frio na barriga do risco assumido para fazer coisas novas e importantes é natural em um sócio-fundador de uma empresa. Mas essa “dor de dono” não é natural, não em executivos, e aí entra o meu ponto.

Voltando para a primeira linha deste artigo: o momento é único e importante. A geração que está assumindo não fundou seus negócios. Porém, é uma geração que foi escolhida para um processo de sucessão por fundadores, donos de seus negócios que, com certeza, enxergaram e enxergam nesses sucessores a dor de dono.

Mesmo não fundando, mesmo não sendo sócio até, é muito possível e real que um executivo trate a empresa como sua, tenha a mesma paixão de um fundador, cuide dos colaboradores com a responsabilidade igual à que o fundador tem de manter e ampliar empregos e oportunidades. É muito possível que existam executivos com olhar e um fazer empreendedor.

Acho que esse será o aspecto mais bacana desta transição, que é acompanhar o despertar de uma nova geração que carrega os mesmo valores de uma anterior e somará a esses valores os desafios e oportunidades que existem hoje e que não existiam antes.

*Sócio e presidente da Lew’LaraTBWA