A publicidade, já disse Sergio Valente, é a indústria que movimenta as outras indústrias. Tenho o privilégio de, nos últimos 40 anos (desde os 19), conviver e empreender na publicidade que cria, constrói, posiciona e conecta marcas com milhões de consumidores, gerando uma percepção de valor muito maior do que o estampado na etiqueta de preço. É a publicidade que faz a roda da economia girar, desenvolvendo novas categorias de produtos e serviços, abrindo mercados, gerando riquezas, empregos e impostos. Tudo a partir da força das grandes ideias, de campanhas memoráveis que fazem parte da cultura popular. Porém, só temos essa indústria da comunicação tão pujante porque soubemos organizar uma governança que prestigiou o talento brasileiro.

Temos um mercado próspero, livre e ético porque os publicitários que nos antecederam construíram o caminho para florescer o talento e essas grandes ideias. Nossa indústria cresceu porque em 1980, há 42 anos, criou o Conar – Conselho de Autorregulamentação Publicitária, que, junto com o Código de Defesa do Consumidor e a legislação vigente, protegem os direitos do cidadão. Campanhas abusivas foram retiradas do ar graças à participação ativa e voluntária da sociedade civil, que julga livremente os conteúdos a partir de manifestações de cidadãos e empresas que se sentem atingidos pela publicidade antiética.

A prosperidade da nossa indústria tem um importante marco em 1998, quando líderes de agências, veículos de comunicação e anunciantes se uniram e criaram o Cenp – Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário, procurando sempre harmonizar os interesses legítimos de anunciantes, veículos e agências de publicidade. A busca do equilíbrio entre todas as partes sempre foi uma constante, inclusive com a expansão digital, por meio dos novos elos, criando um ambiente neutro, com diálogo aberto e franco, para emularmos as melhores práticas como referência para um mercado livre. Há mais de 20 anos, o Cenp entende e valoriza o poder da propaganda para os negócios, para a economia e para a sociedade. O recente levantamento do Cenp-Meios, com a informações prestadas por 298 agências, mostrou que nossa indústria movimentou R$ 19,7 bilhões em 2021; e um estudo da Deloitte comprovou que, de cada R$ 1 investido em publicidade, são gerados R$ 8,54 na economia. Por isso somos a indústria de ponta da economia criativa.

É o momento de ver novas gerações de lideranças participarem da transformação pela qual nossa indústria passa, tais como Hugo Rodrigues, Sergio Gordilho, Marcio Santoro, Edu Simon, Marcio Oliveira, Vini Reis, Luiz Fernando Musa, Filipe Bartholomeu, Luiz Sanches, Rafael Pitanguy, Marcia Esteves, André Gola, Eduardo Lorenzi, Camila Costa, Keka Morelle, Marcio Toscani, Marcelo Reis, Felipe Simi, Valéria Barone, Lica Bueno, Erh Ray, Guga Ketzer, João Livi e André Kassu, entre muitos outros.

Líderes de agências que colocam no ar diariamente inúmeras campanhas. Essas campanhas só acontecem com a participação ativa, do briefing à aprovação, de grandes profissionais dos anunciantes, como Igor Puga, Frank Pflaumer, João Campos, Ilca Sierra, Mauro Madruga, Patriciana Rodrigues, Ariel Grunkraut, Hermann Mahnke, Fabio Toreta, Mafê Albuquerque, Cris Larroude e Danielle Bibas, entre muitos outros que os antecederam e também estão fazendo a diferença no mercado.

Por parte dos veículos e dos novos elos digitais, são muitos também os profissionais, como Manzar Feres, Fred Müller, Daniel Simões, Alarico Assumpção, Alexandre Guerreiro, Rafael Soriano, Celia Biondi, Marcelo Benez, Paulo Pessoa, Fabio Coelho, Ana Moises e Fiamma Zarife. É impossível nominar todos, porque a cada dia surgem novos talentos num mundo multiplataforma, nessa grande avenida digital que estamos percorrendo, onde a publicidade continua sendo a indústria da liberdade. Uma indústria que informa, educa, entretém, cria hábitos de consumo, defende a diversidade, posiciona a causa e o propósito das marcas. Uma indústria feita por pessoas para pessoas. Creiam: é essa governança que permitiu à publicidade brasileira ganhar asas e se tornar uma das mais criativas e premiadas do mundo. Agora que o Festival de Cannes se aproxima, veremos novamente essa indústria brilhar com cases fantásticos e criativos.

Vamos juntos continuar protagonizando nosso destino, promovendo as melhores práticas com o talento e a força das grandes ideias.

Luiz Lara é chairman da Lew’Lara\TBWA e presidente do Cenp
l.lara@lewlaratbwa.com.br