Passada a fase crítica da Covid-19, que impactou brutalmente a indústria de hotelaria e a de eventos, o ambiente reinante em 2023 é de otimismo nesses setores. No Brasil e no mundo, todas as previsões são de rápida recuperação de mercado, com a volta dos encontros presenciais, sejam eles reuniões de negócios ou grandes eventos.

De fato, ninguém aguentava mais a interlocução por telas, sem a riqueza do contato pessoal. É claro que a experiência virtual não será abandonada – está aí o metaverso atraindo as atenções de todos –, mas, até como compensação pelo longo período de privação, todos estão ansiosos em retomar os contatos presenciais, principalmente os relacionados a eventos.

Todos os tipos de eventos estão em alta, sejam os de negócios, esportivos ou de entretenimento. Na esteira dessa retomada, os hotéis surfam a boa onda, vendo aumentar consistentemente sua ocupação.

Tive acesso ao resultado da pesquisa realizada internacionalmente pela divisão de Meetings & Events da American Express e todo esse otimismo e perspectiva de crescimento são inquestionáveis.

O estudo chama-se 2023 Global Meetings and Events Forecast e envolve as principais regiões mundiais. Na América do Norte, 65% dos respondentes esperam crescimento do investimento em eventos em 2023, contra apenas 17% prevendo queda e 19% com expectativa de repetir a situação de 2022.

O resultado é bastante semelhante ao encontrado na Europa, com 66% dos respondentes prevendo crescimento, e na Ásia, com um percentual de 67% de otimistas. Só é um pouco menor na América Latina, com 63% esperando crescimento.

Interessante observar que a previsão dos eventos com presença física de público é dominante em todas as regiões, com destaque para a América do Norte, onde se espera que 90% dos eventos sejam presenciais, ainda que parte deles híbridos. O percentual se repete na América Latina, mas cai um pouco nas demais regiões (Europa: 86%; Ásia: 84%). E é interessante notar que essa retomada vem muito mais sustentável e inclusiva. Quatro entre cinco dos respondentes (80%) afirmaram que levam em conta as questões de sustentabilidade ao planejar seus eventos. Destes, 76% já adotam uma estratégia de sustentabilidade como regra.

O mesmo acontece com as questões relacionadas a DE&I (Diversidade, Equidade e Inclusão). Nada menos de 87% dos respondentes disseram que sua empresa busca ativamente a incorporação de uma política de DE&I, também nos eventos.

Isso gera novas demandas dos fornecedores e locais de eventos, que são, cada vez mais, escolhidos em função da capacidade de atender aos pré-requisitos dessa política. Os espaços escolhidos, por exemplo, precisam apresentar acessibilidade total a PCDs (Pessoas com Deficiência).

Os resultados da pesquisa realizada no Brasil pelo Think Tank ESG - CBIE, coordenada por mim, em parceria com a EventoÚnico, envolvendo gestores de eventos de empresas, corroboram essa percepção internacional.

A pesquisa, realizada em meados de 2022, mostrou gestores dispostos a levar os critérios ESG em consideração no planejamento dos seus eventos.

84% dos respondentes afirmaram que mantêm as questões de sustentabilidade, responsabilidade social e de governança no radar, na hora de organizar os eventos, sendo que para 16% deles, a adesão de fornecedores e espaços aos critérios ESG já é mandatória. Temos certeza de que, ao realizarmos nova pesquisa este ano, o número deve ser significativamente maior.

A conclusão disso se resume no seguinte: 2023 será um ano muito bom para a indústria de eventos, mas as demandas por sustentabilidade, DE&I e mais responsabilidade em todas as ações serão mais rigorosas, tirando competitividade daqueles que não se alinharem.

O mesmo acontece na hotelaria, mas isso ficará por conta de novo artigo, onde apresentarei a análise de outro estudo internacional, esse focado na indústria de hospitalidade.

Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4
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