Armando Ferrentini, fundador do propmark
Nenhuma profissão é easy. Não é agora e nunca foi. Todas trazem suas barreiras de entrada. O que muda com o tempo são os desafios de cada época. Independentemente da área, os jovens, na maioria das vezes, enfrentam dificuldade de ingressar no mercado de trabalho por falta de experiência. Já os mais velhos sofrem etarismo. Mais recentemente, surgiu uma camada ainda mais desafiadora com a automação de tarefas e a inteligência artificial generativa, que está transformando todas as profissões.
Mas se tem uma carreira em que a mudança é extremamente profunda é a do profissional do marketing. Isso porque ele precisa ser especialista em comunicação, entender de mídia, vendas, dados, estudar o mercado e o consumidor para desenvolver estratégias que valorizem a marca, atraiam e fidelizem clientes.
É uma pessoa que atua na intersecção dos anunciantes e das agências. Guardião da marca, tem total responsabilidade pela construção do branding em alinhamento com os seus fornecedores. A tarefa não é pouca, principalmente agora em tempos de IA e de produção automatizada de campanhas criativas.
Além de precisar estar apto para atuar no planejamento, criação de campanhas e análise de métricas, unindo criatividade com inteligência de negócios, tem ainda a gestão de redes sociais, talvez um dos maiores desafios atuais, visto o crescimento do social media, da repercussão que um conteúdo pode tomar (para o bem e para o mal) e do fenômeno da efemeridade das plataformas.
O propmark faz uma homenagem ao Dia do Profissional de Marketing, celebrado em 8 de maio, com uma reportagem especial nesta edição sobre a construção de narrativas de marca em tempos de plataformas efêmeras, que viraram a chave e desafiam o futuro da profissão, em meio a algumas questões: “Qual a nova função a ser aprendida?”, “O profissional será substituído pela IA?”, “A criatividade e a originalidade serão sua salvação?”, como apresenta matéria de Vitor Kadooka.
A análise mostra que a construção de narrativas de marca em plataformas efêmeras exige velocidade de scroll. Se antes uma campanha ficava no ar por meses, agora, em alguns casos, é preciso trocar uma comunicação no mesmo dia, diante de uma repercussão negativa ou porque ela não está performando bem, sendo que esse contato com o público acontece em feeds, vídeos curtos ou trends.
E não é só isso. Em um ambiente no qual formatos, canais e comportamentos mudam em velocidade acelerada, o desafio não está apenas em ocupar novos espaços, mas em sustentar vínculo com o consumidor, observa a matéria.
Os profissionais ouvidos pela reportagem falam sobre como grandes marcas como O Boticário, iFood, Magalu e Mercado Livre, por exemplo, constroem consistência em meio a conteúdos rápidos, tendências passageiras e experiências cada vez mais vividas entre o digital e o presencial. Confira.
Cenp
Outro destaque nesta edição é a cobertura da cerimônia de posse da nova diretoria do Cenp (Fórum de Autorregulação do Mercado Publicitário), com a liderança de Melissa Vogel, a primeira mulher a assumir a cadeira de presidente na história da entidade, que tem quase 30 anos de atividade - a fundação foi em 1998.
A expectativa em torno do nome de Melissa é grande. Ex-presidente do Ibope no Brasil, a executiva tem estofo. Sua tarefa, provavelmente, não vai ser fácil. Ela assume substituindo Luiz Lara (chairman da TBWA no país) e terá papel decisivo de ratificar a entrega de métricas de mensuração para o ecossistema publicitário.