Armando Ferrentini, publisher Propmark

Está aberta a temporada dos festivais de publicidade no ano. E começa a largada para o maior e principal deles, o Cannes Lions, que divulgou na última semana o line-up com os nomes dos jurados nas categorias da edição de 2026, que será realizada de 22 a 26 de junho na França.

Com o fim do prazo para inscrições de peças, as agências correram contra o tempo e as novas regras de integridade para validação de trabalhos na premiação.

Após o escândalo da DM9 em 2025, devido à manipulação de imagens e conteúdo com IA, que levou à cassação do Grand Prix ‘Efficient way to pay’ para Consul e levantou suspeita sobre uma série de outros cases premiados, que também foram investigados, o maior festival de criatividade global endureceu as exigências para comprovação de resultados reais das campanhas.

Fontes do propmark “reclamam” que o processo de inscrição está muito mais demorado e “difícil”. Elas relatam que ficou bem mais complicado e rigoroso, por conta dos episódios do ano passado. Agências tiveram de se reunir mais vezes com o global dos grupos para alinhar os documentos, inclusive realizando calls com a organização de Cannes.

O reflexo disso pode ser uma possível diminuição no número de trabalhos inscritos neste ano. Se isso ocorrer, Cannes vai arcar com o ônus de ter um impacto financeiro. Por outro lado, será a prova de que a organização está disposta a perder euros agora para não manchar a sua reputação e credibilidade em uma era de fake news e de inteligência artificial, que mudou o jogo da corrida por Leões.

Entre os pilares do novo padrão de integridade criativa de Cannes, está o sistema de verificação de informações em duas fases: uma análise manual e outra conduzida por inteligência artificial. Juntas, elas avaliarão a autenticidade de todas as alegações feitas nos cases. E o pior: uma agência pode ser banida por até três anos do festival caso submeta trabalhos falsos, enganosos ou fraudulentos. Uma consequência que ninguém quer enfrentar. O receio de não conseguir emplacar inscrições de peças com potencial para ganhar prêmios também paira no ar.

Embora com caráter global, há quem diga que as novas regras de autenticidade de campanhas estabelecidas pela organização vão atingir em cheio e principalmente o mercado brasileiro, estopim da crise deflagrada no ano passado. Ou seja, todos os olhos estarão voltados para nós nesta edição - apesar de ser a França o País Criativo do Ano, homenagem que o Brasil recebeu no ano passado.

Antes do Cannes Lions, outro prêmio que também movimenta o mercado é o D&AD. Agendado para os dias 19 e 20 de maio, em Londres, o tradicional festival de origem inglesa que premia a excelência criativa com os cobiçados Pencils também anunciou novidades na última semana, com a inclusão de três brasileiros em sua nova rede de embaixadores, uma medida para aproximar o D&AD das comunidades criativas espalhadas pelo mundo.

Especial Agências do propmark nesta semana traz os desafios e as incertezas com o que vem pela frente em ano de eleições, Copa do Mundo, questões geopolíticas e o uso cada vez maior da IA. Reportagem da editora-assistente Bruna Magatti mostra que é dentro desse contexto que a indústria segue equilibrando os custos e os avanços, e a modernidade das operações com o ativo que nunca morre: a criatividade. Confira o que dizem as lideranças.

Vale lembrar a tendência de alta global a partir de dados da Warc, divulgados no início do ano, cujas previsões apontam que o investimento global em publicidade deve crescer 9,1% em 2026, alcançando US$ 1,3 trilhão.