A CEO da Mynd fala ao propmark sobre a maturidade da creator economy, o avanço da inteligência artificial e os próximos movimentos da agência

Em um mercado que deixou de ser experimental para se tornar altamente competitivo, a Mynd chega a um momento de maturidade apoiada em repertório e visão estratégica. Nascida antes do boom da creator economy, a empresa acompanhou — e ajudou a moldar — a transformação da influência em um negócio estruturado. Hoje, atua além das campanhas, integrando cultura, dados, entretenimento e gestão de talentos para construir valor contínuo. Em um cenário mais criterioso e pulverizado, reforça seu papel como agente ativo na profissionalização do setor e na conexão entre creators, marcas e audiência. Nesta entrevista, Fatima, que participará de palestra no São Paulo Innovation Week na próxima semana, analisa a maturidade da creator economy, o avanço da inteligência artificial e os próximos movimentos da agência em um mercado cada vez mais competitivo.

A Mynd nasceu antes do boom da creator economy e hoje é um dos principais players do setor. Como você define o atual momento da empresa dentro desse cenário mais maduro — e mais competitivo?
A Mynd nasceu quando muita gente ainda enxergava influência como algo pontual, quase experimental. Desde o começo, eu entendi que aquilo não era uma tendência passageira, mas uma mudança estrutural na forma como as pessoas se conectam, consomem conteúdo e se relacionam com as marcas e entre si. Hoje, eu vejo a empresa em um momento de maturidade muito importante. O mercado cresceu, se sofisticou e ficou mais competitivo.

Isso é um ótimo sinal. Mercados maduros exigem mais consistência, mais inteligência e mais capacidade de entrega. Chegamos nesse momento com algo que faz muita diferença: repertório. Ajudamos a construir esse mercado no Brasil desde antes de ser chamado de creator economy. Acompanhamos essa transformação desde o começo e evoluímos juntos. Isso nos dá uma visão histórica e estratégica que hoje se traduz em vantagem competitiva. Mais do que acompanhar a creator economy, a Mynd participa ativamente da forma como ela se organiza, se profissionaliza e se conecta com cultura, entretenimento e resultado de negócio.

O mercado fala muito sobre “profissionalização da influência”. O que isso significa, na prática, dentro da Mynd hoje?
Profissionalizar a influência é parar de tratá-la como improviso e começar a tratá-la como negócio. E isso vale para todo o ecossistema, seja creators, marcas, plataformas ou agências. Na prática, significa entender que o creator não é apenas alguém que produz conteúdo. Ele é uma marca, um ativo de comunicação e, muitas vezes, uma plataforma de mídia com impacto real em comportamento e consumo. Dentro da Mynd, isso se traduz em gestão de carreira, planejamento de longo prazo, contratos mais estruturados, acompanhamento de dados, gestão de reputação e construção de valor contínuo. Não olhamos apenas para a próxima campanha, mas para consistência, coerência e longevidade. Influência pode até nascer no espontâneo. Mas carreira só se sustenta com estratégia.

A creator economy virou um negócio bilionário, mas também mais saturado. Estamos vivendo um pico ou ainda há espaço para crescimento? Como a Mynd enxerga o papel dos micro e nano creators dentro dessa nova dinâmica mais pulverizada do mercado?
A pulverização hoje representa a mudança do algoritmo em exibir para as pessoas o conteúdo que elas estão buscando, e isso favorece o microinfluenciador pelo volume de conteúdo sobre assuntos supernichados. Com isso, vem o seu crescimento, pois ele começa a ser reverberado.

Não acredito que estamos vivendo um pico, mas sim uma fase mais madura do mercado. O que acabou foi a fase mais ingênua, em que qualquer número parecia suficiente. Hoje, o mercado está mais criterioso, mais orientado por contexto, afinidade e resultado. E isso abre ainda mais espaço para micro e nano creators. Sempre acreditei na força do creator nichado, porque influência não é apenas sobre alcance, mas também sobre conexão, confiança e comunidade.

E agora as plataformas deram espaço e visibilidade para eles, oriundos, é claro, da própria demanda dos usuários. Muitas vezes, um creator menor, mas com uma audiência extremamente engajada e uma relação genuína com aquele público, entrega mais valor para uma marca do que um perfil gigante sem aderência. O mercado está mais pulverizado, mas isso não enfraquece a creator economy. Pelo contrário, torna o setor mais inteligente, mais segmentado e mais eficiente.

Fatima Pissarra, CEO da Mynd (Imagem: Divulgação)

A Mynd evoluiu de agência para um ecossistema que envolve entretenimento, música, conteúdo e mídia. Esse movimento é estratégico para sobreviver à fragmentação da atenção?
Sem dúvida. Hoje, atenção é um dos ativos mais disputados do mercado. Ela está fragmentada entre plataformas, formatos e comunidades, e isso exige uma visão mais integrada de influência. Sempre entendemos que a creator economy não existe separada de cultura. Ela conversa com música, entretenimento, comportamento e conversa social. Por isso, a construção de um ecossistema foi um movimento estratégico e não apenas uma diversificação. A presença da Billboard Brasil, por exemplo, nos conecta diretamente aos grandes movimentos da indústria musical e à agenda cultural em tempo real.

A Pop Creator reforça nosso olhar para creators nichados, que hoje têm um papel cada vez mais relevante na construção de comunidades e tendências. Quando você conecta creator, artista, conteúdo, branded content, mídia e narrativa cultural, deixa de vender apenas entregas e passa a construir presença. E, hoje, a presença vale muito mais do que uma interrupção. Esse ecossistema não é sobre diversificar por diversificar. É sobre estar, de forma relevante, onde a cultura está acontecendo.

Leia a íntegra da entrevista na edição impressa do dia 04 de maio.