Experiências de marca, e não meras ativações, são capazes de conectar as pessoas por meio de encontros que se transformam em lembranças
A Copa do Mundo começa antes mesmo dos jogos oficiais. Lojas lotadas de camisas da seleção brasileira, ruas pintadas de verde e amarelo, organização de encontros para assistir às partidas e a disputa das marcas por espaço na conversa do torcedor sinalizam que é ‘ano de Copa’. Desta vez, no entanto, o clima parece menos eufórico, e já existem levantamentos que confirmam o sentimento. Uma pesquisa da Genial, facilitada pela Quaest, aponta que 54% dos brasileiros não estão animados com o campeonato, outros 32% se dizem pouco animados, e apenas 12% afirmam estar muito animados. O estudo foi realizado entre os dias 10 e 13 de abril deste ano e consultou presencialmente cerca de 2.004 participantes de todo o país.
A preocupante ‘epidemia da solidão’ impulsionada pelo excesso de tecnologia, o desempenho da seleção nos últimos torneios e questões sociopolíticas atuais estão entre os possíveis causadores da apatia. Curioso notar que o setor de experiências transforma encontros presenciais em ferramentas capazes de reaquecer a relação do público com o Mundial. “Chegando mais perto da época, com todas as movimentações, as ações de brand experience têm exatamente esse poder de ajudar a conectar e de tornar presente o espírito da Copa do Mundo”, avalia Marcelo Lenhard, CEO da Hands.ag.
Os números do ‘Segundo Anuário Brasileiro de Live Marketing’ ajudam a explicar o movimento. O setor movimentou cerca de R$ 100 bilhões no último ano, impulsionado por eventos corporativos, ativações de marca, promoções e experiências proprietárias. Uma pesquisa da Ilumeo indica que a proximidade com uma marca pode ser até 4,5 vezes mais relevante do que o entretenimento em si, apontando que experiências presenciais e vínculos emocionais tendem a ganhar ainda mais valor em eventos de porte coletivo.

Para Heloisa Santana, presidente da Associação de Marketing Promocional (Ampro), o marketing de experiência ganha relevância por responder a uma demanda humana por conexão real. “A Copa do Mundo é, por essência, um evento coletivo e abre uma oportunidade única para as marcas criarem espaços de pertencimento, onde as pessoas compartilham emoções, narrativas e memórias”, afirma. Ela avalia que mais do que entreter, “o papel do live marketing é reconectar pessoas entre si e com as marcas, gerando vínculos que o ambiente digital, isoladamente, não consegue entregar com a mesma intensidade, especialmente em um contexto esportivo, que já nasce emocional e coletivo”.
A executiva destaca que estudos como o da Ilumeo comprovam que, independentemente do papel crescente do digital para a data, o presencial continua sendo “onde a mágica acontece de verdade”. “As ações mais potentes são aquelas que já nascem fortes no físico. O digital entra depois, como uma extensão, ajudando a amplificar, registrar e continuar a conversa. No fim do dia, é sobre criar momentos que façam sentido para as pessoas estarem ali de verdade”, disserta ela. E se a oportunidade já é certa, a pergunta que fica é: O quão desafiador é criar experiências em um evento que, por si só, já é a grande experiência?
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 18 de maio.