A série de animação infantil “Nilba e os Desastronautas” será o primeiro conteúdo 100% brasileiro a ser veiculado no competitivo mercado norte-americano. A atração, desenvolvida pela produtora brasileira 44Toons! em parceria com a Fundação Padre Anchieta, foi vendida para o Starz, canal de TV paga com penetração em 30 milhões de residências, e tem veiculação prevista para abril.
“Conseguimos atenção com muito trabalho e um pouco de sorte. O mercado norte-americano é o mais competitivo do mundo. Portanto, até para as produtoras norte-americanas independentes é difícil distribuir por lá. A Jill, pessoa encarregada em adquirir shows para o Starz, adorou a série e reconheceu seu potencial. Ela disse que era uma série para jovens nerds. Talvez tenha sido esse o diferencial, além de ter sido coproduzida com a TV Cultura, que nos deu apoio pedagógico para criar um universo rico, cheio de referências e humor. O humor é a chave, sem dúvida, mas há a necessidade de boas histórias e de uma boa narrativa”, afirma Melina Manasseh, produtora-executiva e sócia da 44Toons!, ao lado do diretor-criativo Ale McHaddo.
Exibida no Brasil desde 2010, no canal de TV paga RáTimBum, “Nilba e os Desastronautas” narra a história do garoto Nilba, capitão de uma nave que cai em um planeta desconhecido e, ao contrário da tripulação que só pensa em voltar para casa, aproveita a chance para se divertir. Este mês, a atração também passou a ser exibida nos canais Gloob, TV Brasil e TV Cultura. “A série surgiu da necessidade do RáTimBum de encontrar conteúdos mais descontraídos, sem obrigações educativas. Nosso objetivo foi criar uma série com apelo de público e que pudesse ser assistida por pais e filhos. É imprescindível termos referências brasileiras nas telas”, diz Melina.
Segundo a executiva, como a série foi desenvolvida totalmente no Brasil, sem qualquer tipo de acordo de coprodução estrangeira (ao contrário de sucessos como “Rio”, de Carlos Saldanha, feito com capital estrangeiro; e “Peixonauta”, coproduzido com produtoras internacionais), todos os resultados financeiros voltarão para o país, fomentando a indústria da animação nacional. “O Brasil carece de representação no exterior. O mundo é curioso e o país é simpático. As pessoas querem saber como são as coisas aqui. Só precisamos produzir mais e mais conteúdo, para diferentes targets, e encontrar canais interessados em comprá-lo”, ressalta Melina, que vê o público infantil como “universal”. “O público norte-americano não é diferente do brasileiro e de nenhum outro. A criança, em qualquer lugar do mundo, gosta de ser tratada com respeito. Ela gosta de se divertir, de ter seus anseios atendidos, de se envolver e de se imaginar como sendo os personagens. Ela é uma consumidora de ideias e não quer ser enganada nem por produtos, nem por histórias mal contadas”, diz.
Paralelamente ao lançamento da série, a 44Toons! trabalha na produção de dois longas-metragens: “Bugigangue no espaço” e “Osmar, a 1ª fatia do pão de forma”, que estreiam nos cinemas ainda este ano e em 2015, respectivamente.