Com a campanha ‘Creativity: dead or alive?’, festival faz provocação sobre uso de IA; 20 brasileiros estão nos júris desta edição
Depois do cobiçado Leão de Cannes, um dos prêmios de criatividade que o mercado publicitário brasileiro – e global – mais almeja ganhar é um Lápis (Pencil) do prestigiado D&AD, que será realizado nesta terça-feira (19) e quarta-feira (20), em Londres, no South Bank Centre, que fica ao lado de ícones ingleses como o Big Ben e a London Eye. Os jurados se reúnem dias antes do início do festival para darem início aos julgamentos presencialmente.
Com alcance global, o festival da organização britânica sem fins lucrativos, de renome mundial, focada em promover a excelência no design e na publicidade, tem toda uma aura britânica em torno dele. Começando pela localização até a sua fama de ser uma das premiações com rigor mais elevado para distribuir troféus.
No D&AD, o jurado não tem uma “cota” para premiar trabalhos, como pode acontecer em outros festivais, já que não há o compromisso exclusivamente com lucro. A organização é voltada para retroalimentar o ecossistema com educação continuada, com masterclasses e programas gratuitos, como o Shift e o New Blood.
Como todo ano, a barra da criatividade é alta nos júris das diversas categorias do festival. Em 2026, a caça aos Lápis começa em meio a questões estruturais da indústria após polêmicas de cases no ano passado, envolvendo o uso indevido de IA nos trabalhos, cujo estopim foi o escândalo da DM9 com a campanha ‘Efficient way to pay’, criada para Consul, que teve GP e prêmios cassados devido à manipulação de imagens e conteúdo.
Não à toa, o D&AD promoveu neste ano a campanha ‘Creativity: dead or alive?’ Afinal, a criatividade está viva ou morta? A IA vai matar a criatividade? Levantando questões como essas, ao longo dos meses a ação comprovou que a criatividade está viva, incentivando o mercado a superar medos como “O cliente pode não gostar”, “Vou esperar permissão” ou “Not trusting your gut”.

Vinte brasileiros participam dos júris no D&AD 2026. Uma das mudanças nesta edição, que terá diversas sessões, como ‘Jury insights’, ‘President’s lectures’ e keynotes, é a dinâmica do anúncio dos vencedores. Na quarta-feira 20, o festival promoverá o evento ‘Yellow Pencils: why they won’, em que os presidentes de júri compartilharão os detalhes de suas decisões, explicando por que os trabalhos se destacaram e o que significa excelência criativa no mais alto nível.
Os vencedores de Lápis Amarelo não serão convidados ao palco durante a apresentação, porém terão a oportunidade de retirar seus Yellow Pencils ao longo da noite. Os Lápis Pretos e as Empresas do Ano serão anunciados em setembro, em cerimônia de premiação específica.
O Brasil conta com três presidentes de júri na 64ª edição do D&AD: Dulcidio Caldeira (Boiler Films), presidente em Production Design; Gilvana Viana (MugShot), que vai liderar os trabalhos em Sound Design & Use of Music; e Claudio Lima (WOW Gaming Ventures), em Gaming & Virtual Worlds, sendo o primeiro brasileiro a presidir essa categoria. Lima foi um dos nomes da série especial do propcast com os jurados, disponível no YouTube do propmark.
Em 2025, inicialmente, o país havia conquistado 46 Lápis no festival, número que foi reduzido para 44, após o D&AD retirar dois Wood Pencils conquistados pela DM9 com o case ‘Plastic blood’, que também esteve no centro das polêmicas. Na época, a organização destacou que “como o uso de IA não foi declarado, as inscrições são consideradas enganosas e violam os termos e condições do D&AD”.
No board da entidade, estão nomes como o de Lisa Smith, global chief design officer na Uncommon e atual presidente da D&AD; Tim Lindsay, que ocupa o post de chairman, e David Patton, que assumiu em fevereiro último como CEO.