Por Armando Ferrentini, fundador do propmark
O consumo de mídia se tornou tão multifacetado que as pessoas estão conectadas em vários aparelhos e serviços ao mesmo tempo, sem muitas vezes nem perceber. Chega a ser natural hoje assistir à TV sentado no sofá com o laptop no colo, o tablet do lado e o celular na mão.
Engana-se quem pensa que só os mais jovens têm esse hábito. Obviamente, que para eles isso é totalmente normal, afinal nasceram na era multitela. Mas cresce o número de pessoas mais velhas que estão mais ‘ligadas’ do que nunca e também não conseguem desgrudar o olho das telas.
Existe um lado prejudicial, de fadiga digital, que todos conhecemos, mas, como tudo na vida, é preciso dosar e alcançar o equilíbrio nesse consumo de mídia. Há relatos de consumidores que se sentem ansiosos com o feed das redes sociais e chegam a desinstalar os apps em seus smartphones. O curioso é que eles reinstalam com certa frequência só para ‘espiar’ quando tem algo que interessa.
Não dá para ignorar a necessidade de estar sempre atualizado com as últimas notícias e memes. O acesso à informação é tão abundante que isso precisa ser avaliado positivamente sob vários aspectos.
O que está passando na TV no momento em que a pessoa assiste muitas vezes ainda não chegou à internet, e vice-versa. Ou o site em que você está acostumado a ler não necessariamente tem a mesma informação que um post no LinkedIn ou no Instagram. Moral da história: dá para se atualizar fácil e rápido.
E, em uma época em que o conteúdo é rei, o consumidor reina absoluto. Escolhe o que ver e quando ver, na hora em que quiser. Ponto para os serviços com conteúdos sob demanda. O streaming revolucionou tanto o consumo de mídia que escreve um novo capítulo para a publicidade com o avanço da televisão gratuita via streaming, os chamados fast channels (Free Ad-Supported Streaming TV).
Os canais rápidos, cujos ícones aparecem na tela assim que ligamos a smart TV e hoje são até mais fáceis de acessar do que os próprios canais abertos, deixaram de ser uma promessa para se consolidar como um dos segmentos que mais crescem na indústria global de mídia e entretenimento, como mostra reportagem da editora Bruna Magatti no Especial Fast Channel desta edição.
O avanço da TV conectada (CTV) começa a desenhar, de fato, como será a nova forma de comprar pela televisão, finalmente integrando conteúdo e publicidade. As ofertas no canto da tela para escanear um QR code aumentam cada vez mais.
A corrida dos fast channels atrai desde grandes grupos de mídia até fabricantes de televisores, plataformas de streaming e empresas de tecnologia com a abertura de novos canais. Já são centenas no país: mais de 400. Tem canal para todo gosto.
Um dado importante da Comscore no estudo ‘TV Conectada no Brasil 2025’ aponta que a maioria dos usuários de CTV (56%) escolhe serviços com anúncios, enquanto 44% optam por serviços pagos e sem publicidade. Segundo a pesquisa, 67% da população digital brasileira, o equivalente a 88 milhões de pessoas, já é considerada espectadora de TV conectada.
Nesse ecossistema, quanto mais, melhor. A BandNews FM, por exemplo, está no LG Channels, disponível em 17 milhões de aparelhos, e no TCL Channel, presente em 11 milhões de televisores da fabricante. E, a partir de agosto, poderá ser acessada no canal de streaming da Samsung (com 23 milhões). “Hoje, não pensamos mais em distribuição por plataforma, mas por audiência. O fast amplia essa estratégia ao transformar a smart TV em mais um ponto de contato relevante”, diz Amanda Andrade, diretora-geral das Rádios do Grupo Bandeirantes de Comunicação.



