Ricardo Forli, sócio e diretor da Monkey-land, defende: “Escala é uma vantagem importante, mas criatividade nunca foi commodity. O diferencial das independentes está justamente na capacidade de preservar aquilo que dificilmente se industrializa: o craft”.
A defesa encontra respaldo em estudos recentes sobre consistência e qualidade criativa. O estudo ‘Compound creativity’, da System1 com a IPA, analisou mais de 4 mil anúncios, de 56 marcas, em 44 categorias, ao longo de cinco anos, e apontou que marcas que mantêm a mesma agência criativa no período produzem anúncios de maior qualidade e ampliam sua distintividade. O levantamento também mostra que as marcas mais consistentes geram 28% mais grandes efeitos de negócio.
No mesmo sentido, análise da Kantar com a Warc cruzou dados da base Link, com mais de 250 mil anúncios, e informações de ROMI (Return on Marketing Investment ou retorno sobre investimento em marketing) da Warc. No recorte de cerca de 450 anúncios associados a dados de lucro, os anúncios mais criativos e efetivos geraram lucro mais de quatro vezes maior.
O trabalho ‘Zicadores’, criado pela agência para o Agibank durante a Copa do Mundo deste ano, exemplifica esse ponto. A agência mapeou mais de 1.600 pessoas no Brasil que possuíam “zica” na composição do nome e convocou esses torcedores para uma missão: concentrar a má sorte contra a seleção da Argentina nos jogos da competição.
No filme da campanha, o personagem atravessava uma sequência digna de um manual de superstições enquanto anunciava a ação. Segundo Forli, a mecânica também envolvia os clientes do banco. “O Agibank ia presentear os clientes atuais e novos que tivessem zica na composição de seus nomes e engajassem com a campanha com uma camisa da seleção da Argentina para a missão de transferir toda a má sorte para os hermanos durante o campeonato – e não é que deu certo?”
Leia a íntegra da matéria na edição impressa do dia 03 de agosto.


