Por Armando Ferrentini, fundador do propmark
Brasileiro adora uma farmácia. E elas estão por todas as partes. Praticamente, uma em cada esquina. Em São Paulo é assim. Outra grande cidade que tem drogarias por todos os lados é Maceió, em Alagoas. A França também possui uma concentração grande de “pharmacies”.
Farmácia é algo cultural. Para além da necessidade de comprar remédios, o consumidor encontra quase ‘tudo’ nas drogarias. De itens de perfumaria, xampu, fraldas, cosméticos a produtos de beleza e suplementos alimentares.
Muitas vezes, as pessoas vão só dar uma espiada para ver se tem alguma novidade na farmácia do bairro. E sempre tem alguma coisa faltando em casa para pegar. Quem nunca aproveitou as compras no shopping para dar uma passada na drogaria?
Por outro lado, há quem se queixe do excesso de produtos hoje expostos nas farmácias, que em muitos casos estão cada vez mais iguais a lojas de cosméticos e perfumes. Talvez o caminho natural seja a separação das nossas farmácias em drogarias e farmácias, estas últimas exclusivas para remédios, como acontece há muito tempo em países europeus como a Alemanha, onde na década de 1990 remédios já eram vendidos na “apotheke” e produtos de beleza na “drogerie”.
Para além do hábito cultural, a indústria farmacêutica está em alta com a febre das canetas emagrecedoras e o culto à beleza, cuidados com a pele e a saúde como nunca visto. Hoje em dia, convenhamos, a maior parte das conversas entre as pessoas gira em torno de o que a outra está fazendo para se cuidar, se está se exercitando e o que tomou para emagrecer.
O fato é que o varejo farmacêutico brasileiro está bombando e, junto com ele, as oportunidades de publicidade em retail media nas milhares de farmácias do país. O Brasil possui entre cem mil e 122 mil farmácias em funcionamento. O número coloca o país entre os maiores mercados de varejo farmacêutico do mundo, com uma média de quase seis farmácias para cada dez mil habitantes. O índice nacional é bem superior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere uma farmácia a cada dez mil pessoas.
O varejo farmacêutico brasileiro registrou R$ 107,7 bilhões em vendas entre janeiro e maio, representando crescimento de 10,5% sobre o mesmo período anterior.
Pode até parecer contraditório o avanço diante da dificuldade das grandes varejistas Casas Bahia e Marabraz, que entraram em recuperação judicial na semana passada, aprofundando a ‘crise do varejo’ iniciada pela rede Americanas. Mas, como diria o ditado popular, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Voltando às farmácias, o setor passa por uma transformação na forma de construir marcas, relacionamento e valor. Nesse cenário, o branding ganha espaço como ativo estratégico para diferenciar empresas e produtos em um mercado no qual a inovação técnica, isoladamente, já não garante liderança. As conclusões são do report setorial ‘O pulso do mercado – Construção de marca e geração de valor na indústria da saúde e bem-estar’, desenvolvido pela Troiano.
Nas farmácias (terreno vasto para obter dados de hábitos de consumo), pipocam as oportunidades multicanais de comunicação para impactar o consumidor, seja com telas digitais nos corredores, e-commerce ou ativações mais sofisticadas nas prateleiras. Não à toa, a RD Saúde, líder no Brasil, com as marcas Raia e Drogasil, estruturou a Impulso, empresa especializada em retail media.




