Todo mundo está em campanha. Menos o eleitor

Omar Caldas

Estrategista criativo chefe da OCA Marketing

Que comecem os jogos… Ops. Para a maioria das pessoas, nada começou.

Quem trabalha com marketing político já está com a eleição na cabeça faz tempo.

Estratégia, posicionamento, narrativa, conversão, rejeição, pesquisa, redes, adversários.

Cada movimento já é analisado como parte de uma campanha que, na prática, só começou para os profissionais do setor.

Mas existe uma coisa que quem trabalha com isso às vezes esquece: O eleitor não está nem aí.
Pelo menos ainda.

Lembra um pouco o Festival de Cannes para quem trabalha com publicidade.

Dentro das agências, expectativa, torcida, discussão sobre campanhas, prêmios. Para o consumidor, quase nenhuma relevância.

Na política acontece algo parecido.

Enquanto estrategistas discutem quem largou melhor, quem acertou o discurso, quem encontrou um bom posicionamento e quem está fazendo besteira, a maior parte das pessoas está pensando no trabalho, nas contas, na segurança, no preço das coisas e na própria vida.

Só que, daqui a pouco, lá para o final de semana de setembro esses dois mundos vão se encontrar.

A campanha vai sair da bolha de quem faz política e entrar de vez na rotina de quem decide a eleição.

E aí começa a parte mais interessante.

Vamos descobrir quais estratégias realmente funcionaram. Quais narrativas conseguiram atravessar a bolha. Quem confundiu engajamento com voto. Quem falou muito para quem já concordava.

Quem conseguiu conquistar gente nova. Quem gastou uma fortuna e não construiu nada. E quem entendeu o eleitor antes dos outros.

Porque eleição também é um laboratório de comunicação.

Durante meses, todo mundo apresenta suas hipóteses.

No final, milhões de pessoas dão a resposta.

Que comecem os jogos.

Agora sim.

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