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Como construir autoridade e formar comunidade

Diogo Trancoso

CCO da Take4Content

Fazer com que a audiência se envolva com os conteúdos e estabeleça uma conexão genuína com as marcas ganha cada vez mais peso nas métricas de retorno. E, entre os formatos que melhor capturam a atenção e estimulam esse envolvimento, o vídeo longo vem se destacando.

Produzir conteúdo audiovisual deixou de ser apenas uma etapa da campanha e passou a exigir estratégias próprias para diferentes plataformas, linguagens e formas de consumo. É nesse novo cenário que o YouTube ganha uma posição particularmente estratégica. A plataforma já habita as casas de boa parte dos brasileiros.

O YouTube ampliou seu alcance com o vídeo longo e passou a ser visto não apenas como canal de mídia onde se compra audiência ou um ambiente de distribuição de vídeos, mas como uma plataforma que cria contexto, reputação e atrai o público com produção audiovisual, formatos, narrativas e linguagem que aproxima de sua comunidade.

E há inúmeros exemplos de como a plataforma tem gerado audiência. A CazéTV alcançou mais de 118 milhões de contas únicas na Copa 2026 e registrou crescimento de 114% da audiência em comparação a 2022.

A Fórmula 1 conquistou uma audiência 48% maior na primeira metade da temporada de 2026 em comparação a 2025. Ambos se consolidaram com suas comunidades, rejuvenesceram seus públicos, e são cases de sucesso, consolidando a relevância do YouTube como plataforma para as marcas.

Se a creator economy consolidou o papel dos criadores como produtores de conteúdo e formadores de audiência, as marcas também podem ocupar esse espaço, construindo uma relação mais direta com o público por meio de conteúdo relevante e útil. É nesse movimento que surge o que podemos chamar de ‘brands economy’: uma marca que não apenas anuncia, mas produz conteúdo, facilita a vida, pratica a escuta ativa, é transparente e se posiciona como pioneira. Essa é a potência que o YouTube carrega, mas algumas marcas ainda não captaram que é ali onde a construção de reputação, autoridade e senso de pertencimento pelo público se iniciam e consolidam, e isso representa uma oportunidade para elas.

O YouTube é uma grande cauda longa. Existe conteúdo para todos os gostos, mas para adentrar nesse universo, não basta simplesmente “abrir um canal e publicar vídeos”. O erro mais comum é uma marca tornar o seu canal um “repositório” de materiais de campanha ou “transbordar” conteúdos do Instagram ou TikToK para lá.

Além de não engajar, a marca perde uma oportunidade única de contar a sua história. Aliás, é algo que repito constantemente: “toda marca tem uma história para contar”. O brasileiro se envolve com histórias de superação e sucesso. São essas histórias que os departamentos de marketing deveriam contar em vez de surfar em trends curtas, superficiais e que caem rapidamente no esquecimento.

Sempre vai haver discussão nas áreas de marketing: “Não vamos fazer campanha de marca. É conversão. Precisamos vender. Quanto esse canal de YouTube vai me gerar de vendas?”

No mundo atual, com inúmeras marcas vendendo o mesmo tipo de produto com diferença de centavos, o que vocês acreditam que fará a diferença na hora da escolha? Acertou, a marca! Sou de uma época em que a publicidade contava histórias. Mesmo em 30 segundos. Mas nessa época não existia rede social e uma infinidade de pessoas conectadas e com voz ativa na palma da mão.

Streaming, redes sociais, jogos… as “janelas” são muitas, e a provocação que faço aqui é: se uma marca não dominar a narrativa do segmento, colocando-se à frente, quem o fará? O preço? Aliás, vale outra provocação: “Tudo que vem pelo preço, vai pelo preço”.

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