A sobrecarga de trabalho tem afetado a saúde e a disposição de profissionais de marketing digital no Brasil. Pesquisa realizada pelo Reportei, plataforma de relatórios e dashboards de marketing e vendas, mostra que 50,5% dos 200 profissionais entrevistados afirmam já ter apresentado sintomas de burnout. Entre eles, 16% precisaram se afastar do trabalho em razão do esgotamento, enquanto outros 35,5% dizem ter chegado perto de desenvolver o problema.
O levantamento também aponta que o desgaste aparece antes de um eventual afastamento. Nos últimos seis meses, 59,5% dos entrevistados afirmaram ter sentido fadiga mental relacionada ao trabalho frequentemente ou sempre. Apenas 1,5% disseram nunca ter experimentado esse tipo de situação no período.
A perda de motivação e criatividade também aparece entre os efeitos relatados. Mais da metade dos profissionais (52%) afirma ter percebido redução frequente ou constante nesses aspectos. O dado ganha relevância em uma atividade que envolve criação, planejamento, produção de conteúdo e acompanhamento de resultados.
A dificuldade de se desconectar do trabalho também faz parte da rotina. Oito em cada dez entrevistados relatam precisar fazer algum esforço para deixar as atividades profissionais de lado ou afirmam ter dificuldade para isso fora do expediente. Para 10,5%, a desconexão simplesmente não acontece.
O levantamento mostra ainda uma rotina marcada por demandas urgentes e jornadas que ultrapassam o horário previsto. Segundo a pesquisa, 65% recebem solicitações emergenciais pelo menos algumas vezes por semana, enquanto 59,5% trabalham fora do expediente semanalmente.
A estrutura das equipes também aparece como um fator de pressão. Para 73% dos profissionais ouvidos, as atividades são realizadas individualmente na maior parte do tempo ou as equipes disponíveis são insuficientes para atender ao volume de trabalho.
“O marketing sempre foi impulsionado pela inovação e pelo repertório criativo, mas estamos vendo um modelo operacional que esgota justamente esse capital. Quando o profissional atinge o limite do estresse e perde a motivação, o impacto vai ser na qualidade estratégica das entregas e, consequentemente, a capacidade de diferenciação das marcas fica comprometida”, afirma Renan Caixeiro, cofundador e CMO do Reportei. “O avanço da inteligência artificial prometia dar mais braço e eficiência às equipes, mas acabou acelerando ainda mais a régua de cobrança por volume e velocidade. A tecnologia deve ser usada para automatizar o braçal e liberar tempo estratégico, e não para inflar metas irrealistas que resultam na perda dos melhores talentos”, defende o executivo.



