Há 15 anos, em setembro de 2011 a Netflix chegou ao Brasil popularizando a alternativa de assistir a filmes e séries pela internet, sem depender de horários de exibição ou da locação de DVDs. Nesse período, a plataforma ampliou sua atuação para a produção audiovisual, jogos, transmissões ao vivo e publicidade.
Em 2026, a companhia celebra o aniversário com investimentos em conteúdo nacional e na expansão do negócio publicitário. Só o plano com anúncios, de acordo com dados da plataforma, já reúne mais de 35 milhões de espectadores ativos mensais no país, segundo dados da empresa, e concentra mais de 65% das novas assinaturas.
Antes de relembrar a trajetória brasileira, vale voltar ao início de tudo. A história começa em 1997, na Califórnia, quando Reed Hastings e Marc Randolph decidiram testar a possibilidade de alugar DVDs pela internet. Para isso, enviaram um disco pelo correio e verificaram se chegaria intacto ao destino. O experimento deu origem ao serviço que, no ano seguinte, passou a comercializar e alugar filmes pelo Netflix.com.
Em 1999, a companhia introduziu um modelo de assinatura que dispensava prazos fixos de devolução e multas por atraso. Um ano depois, criou o Cinematch, sistema que utilizava avaliações dos usuários para recomendar títulos de acordo com suas preferências.
A principal transformação ocorreu em 2007, com o lançamento do ‘Watch Now’, que permitiu assistir a filmes e séries diretamente pela internet. O serviço ganhou espaço em televisores conectados e dispositivos móveis, impulsionando a expansão do streaming. Em 2010, a Netflix iniciou sua internacionalização pelo Canadá e, no ano seguinte, chegou à América Latina, incluindo o Brasil, onde estreou em setembro de 2011.
Produção nacional
Cinco anos após a chegada ao Brasil, a Netflix lançou ‘3%’, sua primeira série original brasileira. A produção, ambientada em um futuro distópico, abriu caminho para investimentos em diferentes gêneros e formatos nacionais.
Entre os títulos lançados posteriormente estão ‘Sintonia’, ‘Caramelo’ e ‘Os Donos do Jogo’. Segundo dados da Netflix, ‘Caramelo’ ultrapassou 50 milhões de visualizações globais em menos de três meses, enquanto ‘Os Donos do Jogo’ entrou para o ranking das 40 séries mais assistidas mundialmente no segundo semestre de 2025.
Entre julho e dezembro do ano passado, a audiência global de produções brasileiras cresceu 60% em comparação com o semestre anterior, de acordo com a empresa.
Para 2026, a programação inclui ‘Emergência Radioativa’, inspirada no acidente com césio-137 em Goiânia, ‘Brasil 70’, sobre a seleção campeã mundial de 1970, e ‘Sintonia: O Filme’. A companhia também anunciou uma adaptação de ‘O Diário de um Mago’, de Paulo Coelho, e o reality show ‘Sua Mãe te Conhece’, apresentado por Cláudia Raia.
O crescimento da produção nacional também se refletiu na estrutura da companhia. Em 2026, a Netflix inaugurou um escritório em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, o único da América Latina ocupado exclusivamente pela empresa.
Segundo a companhia, a construção e a adaptação do imóvel movimentaram R$ 141 milhões na economia paulistana e geraram mais de duas mil oportunidades de trabalho. A equipe brasileira cresceu 20% em 2025.
Nos últimos três anos, a Netflix trabalhou com mais de 40 produtoras nacionais, enquanto os filmes e séries lançados em 2025 geraram mais de 12 mil postos de trabalho, segundo seus dados. A atuação no setor também inclui acordos com produtoras independentes para financiamento e licenciamento de obras. Entre os exemplos está ‘O Agente Secreto’, que recebeu apoio financeiro da plataforma e teve seus direitos de exibição no Brasil licenciados pela empresa.
Tudum
A relação da Netflix com o público brasileiro também ganhou espaço fora das telas. Em 2020, a empresa realizou em São Paulo a primeira edição do Tudum, festival dedicado aos fãs de suas produções. O evento reuniu mais de 50 mil pessoas durante quatro dias no Pavilhão da Bienal, com experiências inspiradas em filmes e séries da plataforma.
A iniciativa ganhou dimensão internacional nos anos seguintes e, em 2023, voltou à capital paulista com uma edição presencial e transmissão global. Com atrações e encontros com artistas, o evento recebeu mais de 35 mil pessoas e acumulou 78 milhões de visualizações nos canais sociais da Netflix em todo o mundo, segundo a companhia. Em 2025, foi realizado em Los Angeles.
A estratégia de relacionamento com os fãs também chegou ao ambiente editorial. Em 2026, o Brasil se tornou o primeiro mercado a receber uma versão local do Tudum.com, site que reúne entrevistas, bastidores, cenas inéditas e notícias sobre filmes e séries. A plataforma oferece conteúdos em português, recomendações personalizadas para assinantes e um canal de atualizações no WhatsApp.
ADS e licenciamento
A publicidade passou a integrar o modelo de negócios da Netflix com o lançamento do plano com anúncios. No Brasil, a modalidade reúne mais de 35 milhões de espectadores ativos mensais, dos quais 52% acessam a plataforma diariamente, segundo dados apresentados no ‘Behind the Streams 2026’.
Para ampliar a operação, a companhia desenvolveu a Netflix Ads Suite, plataforma proprietária que reúne ferramentas de segmentação, compra programática e mensuração. Em parceria com a Amplified Intelligence, também realizou um estudo no Brasil que identificou 67% de atenção ativa aos anúncios e 17% de atenção passiva.
A expansão comercial inclui acordos com o Mercado Ads, para utilizar dados de comportamento de compra na segmentação de campanhas, e com o Publicis Groupe Brasil, por meio da BR Media, para desenvolver conteúdos publicitários com participação de criadores.
Para 2027, a Netflix prepara novos formatos, como o Creative Fusion, ferramenta de inteligência artificial que permitirá integrar elementos visuais das marcas aos universos de filmes e séries. A companhia também testa anúncios interativos com McDonald’s e Nubank e pretende ampliar a comercialização dos Pause Ads.
Outra frente é o licenciamento de produtos e as parcerias com marcas associadas às produções. Entre os exemplos está a iniciativa de Comfort, da Unilever, com ‘Bridgerton’, que, segundo a Netflix, levou a fabricante a produzir quase cinco vezes o volume inicialmente previsto. O movimento integra a estratégia de explorar comercialmente a influência de filmes e séries sobre hábitos de consumo e comunidades de fãs.




