A Black Friday é uma data promocional importada dos Estados Unidos que deu certo no Brasil. Para a maioria das empresas, se tornou um dos períodos mais importantes para aumentar as vendas. Nenhuma outra data do calendário bate a temporada de descontos. Em alguns casos, nem o Natal.
Afinal, originalmente, a tradição de liquidar os estoques no mercado norte-americano é conhecida exatamente pela redução de preços do varejo para atrair os consumidores. Historicamente, o termo Black Friday foi usado pela primeira vez em 1869 para descrever uma quebra na Bolsa de Valores de Nova York.
Depois, a polícia da Filadélfia usou-o para retratar o trânsito caótico no dia seguinte ao Thanksgiving (Dia de Ação de Graças celebrado nos EUA na quarta quinta-feira de novembro). Mas foi a partir dos anos 1980 que os lojistas transformaram o sentido negativo em algo positivo e a expressão passou a associar-se ao termo contábil em inglês in the black (sair do vermelho e ficar no azul, no lucro).
A data tornou-se, então, uma espécie de aquecimento para o Natal, cujas vendas sempre ajudaram os comerciantes a fecharem o ano no lucro. No Brasil, o sentido da Black Friday, de impulsionar as vendas, pegou, mas há desconfiança em torno das promoções anunciadas e alguns passaram a apelidá-la de “Black Fraude”.
Hoje, o que se vê é um consumidor muito mais atento às ofertas, pesquisando e se planejando mais para as compras. Componente novo que entrou no jogo nos últimos anos, a IA se tornou peça-chave para ajudar as pessoas a pesquisarem preços durante o período promocional.
O interessante é que as promoções da Black Friday que nasceram no varejo se espalharam por toda a indústria. Da telefonia ao aplicativo de comida, toda marca tem de estar preparada para alguma ação especial, de preferência promocional, para o mês de novembro – que muitas vezes, se estende até dezembro. O próprio consumidor “cobra” das empresas por algum desconto no período. Nas lojas dos shoppings e de ruas, as promoções também não se limitam apenas ao dia da Black Friday, que neste ano ocorre em 27 de novembro, mas na maioria dos casos acontecem durante todo o mês.
Para a publicidade, é uma oportunidade de posicionar as marcas em um cenário de confiança e mostrar que a ação de marketing promocional é legítima. Não à toa, as agências montam verdadeiros quartéis para as campanhas de Black Friday de clientes que vão de bancos, marketplaces a varejistas.
Especial desta edição mostra que, em um cenário de instabilidade financeira, cautela e planejamento são as palavras de ordem nesta Black Friday brasileira. Mas há luz no fim do túnel: segundo levantamento do Google, 41% dos brasileiros esperam gastar mais no período do que em 2025. Além disso, 50% dizem esperar deliberadamente pela Black Friday por confiar na data, e 60% enxergam o período como a principal oportunidade do ano para adquirir produtos de maior valor.
Confiança é mesmo muito importante, tudo se constrói com base nela.




