publicidade

A nova dinâmica da influência: menos sobre números, mais sobre conexão

Imagem: Eusébio Mendonça

Thássia Naves

Influenciadora digital

Quando comecei a produzir conteúdo, o mercado de influência era muito diferente do que conhecemos hoje. Os blogs tinham um papel central, as redes sociais ainda estavam se consolidando e o número de seguidores era um dos principais indicadores de relevância. De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente a maneira como as pessoas se relacionam com quem acompanham.

Hoje, acredito que influência vai muito além de alcance. O público não quer apenas consumir conteúdo, mas encontrar identificação, descobrir novas perspectivas e acompanhar pessoas com quem compartilha interesses. Isso muda também o papel dos criadores, que deixam de ser apenas canais de comunicação e passam a construir comunidades em torno de seus universos.

Essa transformação exige uma nova maneira de criar as parcerias com as marcas. Mais do que contratar alguém para divulgar um produto, é preciso entender como aquela marca pode fazer parte da narrativa do criador de forma natural. A publicidade não precisa perder sua intenção comercial para ser autêntica, mas precisa respeitar a identidade de quem comunica.

É aí que entra a liberdade criativa. Cada criador tem uma linguagem, uma estética e uma forma própria de conversar com sua audiência. Quando existe espaço para desenvolver essas características, a mensagem ganha personalidade e deixa de parecer apenas mais uma campanha. O planejamento é fundamental, mas não deve limitar justamente aquilo que torna aquela parceria relevante.

Os dados reforçam essa percepção. Segundo o 2025 Creator Economy Ad Spend & Strategy Report, do IAB, o investimento publicitário com criadores nos Estados Unidos foi projetado em US$ 37 bilhões em 2025, crescimento de 26% em relação ao ano anterior. O avanço demonstra como esse mercado vem ganhando importância estratégica para as marcas, que precisam olhar para além da visibilidade e considerar a qualidade das relações que ajudam a construir.

Nesse contexto, autenticidade não é apenas uma palavra recorrente no mercado. É uma responsabilidade. Ser verdadeira com o público significa ter coerência nas escolhas, transparência nas parcerias e liberdade para compartilhar experiências que realmente façam sentido. Também significa entender que nem toda oportunidade precisa ser aceita e que preservar a confiança construída ao longo dos anos é tão importante quanto crescer.

Acredito que o futuro da influência estará cada vez mais ligado à capacidade de criar conversas, fortalecer comunidades e estabelecer relações duradouras. As plataformas vão continuar mudando, assim como os formatos e as tendências, mas a identificação entre pessoas continuará sendo um diferencial.

Depois de acompanhar tantas transformações, vejo que não precisamos escolher entre criatividade e estratégia, ou entre conteúdo comercial e autenticidade. O desafio é fazer com que esses elementos caminhem juntos. Afinal, influenciar não é apenas alcançar pessoas, mas construir uma relação que faça com que elas queiram continuar por perto.

publicidade

NOTÍCIAS MAIS LIDAS

publicidade

publicidade

Inscreva-se para receber as últimas atualizações

Fique por dentro das novidades do mercado publicitário