Mesmo representando 45% da força de trabalho, mulheres ainda enfrentam dificuldades para chegar a cargos de liderança no Brasil
A presença feminina no mercado de trabalho brasileiro segue enfrentando desafios estruturais. De acordo com o estudo State of Women in Leadership, divulgado pelo LinkedIn, apenas 32% das mulheres no mercado de trabalho conseguem atingir cargos de liderança.
Apesar do crescimento em relação aos 29% registrados em 2015, a evolução estagnou nos últimos dois anos.
A disparidade fica mais evidente ao analisar a progressão hierárquica das mulheres. Embora representem 45% da força de trabalho no Brasil, sua presença reduz drasticamente em níveis superiores. O fenômeno conhecido como The Broken Rung ("Degrau Quebrado", em tradução livre) reflete um obstáculo estrutural que dificulta a transição de mulheres para cargos mais altos.
Os dados revelam que a representação feminina de gerência para diretoria cai 17%, e de diretoria para vice-presidência, 21%.

Desigualdade por setor
A desigualdade de gênero é maior em setores como tecnologia e serviços financeiros, onde a presença feminina encolhe 40% e 46%, respectivamente, ao longo da progressão profissional. “Ao olharmos para o topo das organizações e analisarmos a presença feminina, vemos que o número de mulheres diminui drasticamente. Essa disparidade é ainda mais acentuada em setores como tecnologia e serviços financeiros, onde a diferença de gênero é mais marcante, com quedas de até 40% e 46%, respectivamente, ao longo da progressão de carreira”, afirma Ana Claudia Plihal, head de soluções para talentos do LinkedIn Brasil.
Na América Latina, o cenário também apresenta desafios. O número total de contratações caiu 22% em janeiro de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. No âmbito global, 45% das novas contratações foram femininas, uma queda de 1,6 ponto percentual em relação ao ano passado, indicando que o retrocesso na equidade de gênero é uma tendência preocupante em diferentes países.
Foco em habilidades
Para mudar esse cenário, um caminho é a contratação baseada em habilidades. Segundo o estudo do LinkedIn, essa estratégia pode ampliar em 13 vezes o acesso das mulheres a cargos de liderança e aumentar sua participação em funções sub-representadas em até 12%. “Temos um grande espaço para avançar e para que empresas possam reequilibrar a presença feminina em indústrias historicamente masculinas, principalmente nas áreas de Tecnologia, Construção e Logística. Já em setores onde as mulheres são maioria, como Saúde e Serviços ao Consumidor, a prática poderia contribuir para uma força de trabalho mais equilibrada, ampliando a diversidade e impulsionando ainda mais a inovação”, reforça Ana Claudia.
A adoção de processos seletivos mais inclusivos, com descrição de vagas focada em habilidades em vez de experiências específicas, é um primeiro passo. Programas de mentoria interna, incentivo ao aprendizado contínuo e políticas mais flexíveis também contribuem para um ambiente favorável à ascensão feminina.
Mudança estrutural e cultural
Apesar das barreiras, o crescimento gradual da liderança feminina indica que a transformação é possível. “A mudança cultural, aliada a ações corporativas intencionais, é o caminho para um futuro onde mulheres ocupem, cada vez mais, cadeiras de tomadoras de decisão e sejam reconhecidas pelo talento e competência que já demonstram diariamente no mercado de trabalho”, conclui a executiva.
Imagem: Christina @ wocintechchat.com / Unsplash