Copa 2026 consolidou um novo jeito de torcer para os brasileiros

Por Fábio Coelho, presidente do Google Brasil

Se a minha história familiar existe, é, em grande parte, por causa do futebol e do jornalismo esportivo. Quando meu pai, José Jaques, tinha menos de 20 anos e trabalhava em um jornal no Nordeste, recebeu a missão de viajar ao Rio de Janeiro para cobrir uma partida no Maracanã. No meio do caminho, o avião quebrou e fez um pouso forçado em Vitória. Com a aeronave retida por uma semana, ele precisou buscar um emprego temporário em uma construtora local para se manter. Aquele imprevisto mudou sua vida para sempre: ele nunca chegou ao estádio carioca, mas acabou ficando no Espírito Santo, estudou engenharia e conheceu minha mãe.

Cresci respirando essa paixão no sangue. Por isso, quando recebi meu credenciamento para acompanhar a Copa do Mundo FIFA de 2026 com a CazéTV, a emoção não foi apenas profissional — foi profundamente afetiva e pessoal.

A Copa do Mundo é um evento que mobiliza massas, transformando experiências locais em vivências coletivas em escala global. Foi assim que a competição de 2026 consolidou uma transformação irreversível no consumo de mídia no Brasil. A parceria entre YouTube, LiveMode e CazéTV garantiu o acesso 100% gratuito a todos os 104 jogos, convidando milhões de brasileiros a experimentar um jeito diferente de torcer. A resposta veio: entre o início do Mundial e a eliminação da Seleção, o canal alcançou mais de 120 milhões de pessoas. Em 14 de julho, a transmissão de Espanha x França na CazéTV bateu o recorde mundial da plataforma em uma única live, com um pico de mais de 23 milhões de espectadores simultâneos no Brasil. Isso sem contar o co-viewing, que é a experiência de assistir a um conteúdo na TV em grupo. Essas transmissões estabeleceram um novo padrão mundial de audiência em uma única live no YouTube.

Por trás dessa escala inédita, existiu um trabalho colossal de infraestrutura. Meses antes da bola rolar, equipes de engenharia do YouTube trabalharam com operadoras de telecomunicações no Brasil, reforçando servidores para garantir a estabilidade do sinal em um país continental. Essa solidez permitiu que o espetáculo acontecesse onde realmente importa: na conversa. A transmissão dominou as redes e as mesas de bar, criando fenômenos como a mobilização ao vivo em apoio ao goleiro Vozinha, que deixou o anonimato para virar ícone do torneio.

Mais de 70% do tempo de exibição da CazéTV ocorreu em TVs conectadas. O zapping tradicional deu lugar à interatividade, redefinindo também o mercado publicitário. O “alcance de massa” foi combinado ao “alcance certo” do digital, unindo escala monumental, precisão tecnológica e fandoms, comunidades de fãs apaixonados. Essa transformação prepara o terreno para a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil. A mesma escala e linguagem deverão impulsionar o futebol feminino, gerando equidade e impacto para torcedores e marcas.

O futebol continua sendo a maior paixão do brasileiro, inclusive do “Seu Jaques”, aos 93 anos, que viu sua primeira Copa pelo YouTube este ano. A diferença é que, agora, o estádio cabe em qualquer tela, a arquibancada se reúne no chat ao vivo pela sala de estar e a voz da torcida nunca foi tão ouvida.

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