Por Lelê Saddi, influenciadora e cofundadora do Grupo Pop
As collabs entre marcas de moda e grandes nomes do mercado sempre geram conversa e os exemplos mais recentes comprovam isso: a coleção da H&M com Lívia Nunes e a parceria da Renner com a marca FRANCESCA, fundada pela empresária e influenciadora Francesca Monfrinatti, dominaram as redes sociais nos últimos dias, mostrando como esse formato acompanha as mudanças na forma como consumimos moda.
Na verdade, essa estratégia está longe de ser novidade. Colaborações sempre foram uma ferramenta poderosa para criar desejo, gerar conversa e apresentar uma marca a novos públicos por meio do universo criativo de outra pessoa. Elas funcionam porque unem o alcance e a estrutura de uma grande varejista à identidade de alguém que já conquistou a confiança de uma comunidade.
Durante muitos anos, essas parcerias foram construídas principalmente ao lado de grandes estilistas e maisons. A C&A lançou coleções com nomes como Stella McCartney e Roberto Cavalli. A Riachuelo trouxe Versace, Alexandre Herchcovitch e Helô Rocha. O objetivo era democratizar uma assinatura de moda que, até então, parecia distante da maior parte dos consumidores.
Hoje, a lógica continua exatamente a mesma. O que mudou foi quem representa essa autoridade.
Além dos estilistas, entram em cena criadores de conteúdo que construíram uma linguagem própria, um olhar reconhecido e uma comunidade altamente engajada em moda. Eles não apenas influenciam tendências: ajudam a interpretá-las, contextualizá-las e aproximá-las do dia a dia das pessoas.
É por isso que escolhas como a FRANCESCA fazem tanto sentido. A marca nasceu da visão criativa de Francesca Monfrinatti e construiu uma identidade muito clara dentro da moda brasileira contemporânea. A parceria leva para a Renner um repertório criativo que já conquistou um público fiel.
O mesmo acontece com Lívia Nunes. Ela representa uma geração que descobre tendências muito mais pelo Instagram e pelo TikTok do que pelas passarelas. Seu olhar autoral e sua capacidade de traduzir moda para a vida real fazem dela uma ponte natural entre a H&M e uma nova consumidora.
Cada parceria conecta a marca com públicos diferentes, mas ambas têm algo em comum: autenticidade.
Talvez essa seja a maior transformação desse movimento. Antes, a inspiração descia das passarelas para o varejo. Hoje, ela também nasce nas redes sociais, onde tendências são testadas, reinterpretadas e ganham relevância antes mesmo de chegar às lojas. E as criadoras de conteúdo tem um papel importante nessa história, servindo de alicerce na construção dessas histórias!



