A atriz Giovanna Anttonelli não faz sucesso só na televisão. Na internet, ela consegue “entrar na vida as pessoas sendo quem sou, e não por meio de personagens”, disse a empreendedora no painel ‘Da TV para o digital’, realizado na tarde desta quinta-feira (10) durante o Hotmart Fire, festival de empreendedorismo digital organizado pela Hotmart, no centro de convenções Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento termina no sábado (12).
Giovanna possui mais de 50 milhões de seguidores nas redes sociais. Mas não importa a tela. Para engajar, é preciso contar histórias que gerem significado. “Passei 30 anos na maior fábrica de audiência do país, que é a TV. Um capítulo de novela pode custar R$ 1 milhão para chamar a atenção das pessoas. E funciona. O digital abriu uma fábrica de atenção mais democrática, só que muita gente ainda não sabe o que fazer com ele. A matéria prima é a mesma: gente”, adverte.
Propósito também ajuda a dar sentido às empreitadas digitais. É o que multiplica sonhos. “A TV me deu um sonho, e o digital me deu propósito”, declara. Giovanna reconhece a oportunidade de impulsionar pessoas, especialmente mulheres, por meio do projeto ‘Elas’. A próxima edição do evento está prevista para o mês de março de 2027.
Giovanna encara a sua atuação na internet como um recomeço. “É bom sentir desconforto. Vem acompanhado de oportunidades”, admite a empresária. O seu primeiro infoproduto lançado em parceria com a Hotmart foi ‘Mecanismo do sucesso’, que fala sobre desenvolvimento pessoal. “Outros vieram, até chegar a um evento para três mil mulheres, e hoje estou aqui, no palco do Fire”, relembra.
Símbolos
Uma ficha de telefone, um esmalte na cor azul e uma pulseira. Esses são os ícones da história contada por Giovanna. A ficha telefônica – utilizada no passado para completar chamadas realizadas por meio de telefones públicos -, rendeu a chance que ela esperava para estrear na dramaturgia. Após ligações insistentes, sempre feitas dos extintos Orelhões, ela ganhou o seu primeiro papel. Interpretou Capitu em ‘Laços de família’, novela de Manoel Carlos exibida pela TV Globo em 2000.
Da resiliência à perspicácia de quem tem tino para empreender, o esmalte na cor azul veio de um insight de vendas. “Qual cor é a mais diferente, e qual vende menos?”, perguntou Giovanna à marca que representava à época. Era o tom azul. Ela incorporou o esmalte às unhas da personagem Clara, da novela ‘Em família’, apresentada pela Globo em 2014. E as vendas estouraram. “A cor que ninguém acredita vendeu mais de 20 milhões de frascos. O pigmento azul chegou a acabar na China. A demanda cresceu, e houve uma segunda explosão de vendas”, lembra. Coragem para quebrar padrões e ousar é a lição deixada. “Ninguém quer oferta sem graça”, avisa.
O terceiro símbolo é a pulseira de Jade, personagem de Giovanna na novela ‘O clone’, de Glória Perez, exibida na Globo entre os anos de 2001 e 2002. O acessório ganhou significado ao passar de mãe para filha na trama. “A pulseira se transformou em um laço. E viralizou, mesmo sem internet. As pessoas compraram uma história, um significado”, pontua.
O mecanismo não é novo. Âncoras de memória serviram para tornar pública a obra de Vincent van Gogh. Após a sua morte, em 1890, ninguém comprava os quadros do pintor. Johanna van Gogh-Bonger, sua cunhada, percebeu que as cartas trocadas por Vincent van Gogh com o irmão Theo expressavam a personalidade e a relação do artista com a arte. A publicação do material “ajudou a contar uma história poderosa”, atenta Giovanna.
“Qual história você vai contar?”, pergunta. O convite é para que empreendedores “tenham mente e coração no lugar certo” para gerar conexão com as pessoas e vantagem competitiva em meio aos concorrentes.




