Emissoras e empresas de medição de audiência de Portugal estão em guerra contra a alemã GFK, a nova responsável por auferir os índices de audiência naquele país. A companhia venceu concorrência realizada pela Ceam (Comissão de Análise de Estudos de Meios) em junho do ano passado e, desde então, vem sofrendo uma série de ataques, principalmente da Marketest, que realizou o trabalho nos últimos 13 anos. Após dois adiamentos, a GFK deu início à medição na última quinta-feira (1º) com o sistema audiomatching, diferente do operado pelo Marktest. Com ele, no entanto, as duas principais emissoras do país, TVI e a estatal RTP1, tiveram queda no share que registravam até então.

O primeiro relatório divulgado pela GFK na última sexta-feira (2) mostra perda de 7% na participação da RTP Internacional frente às demais emissoras. Sobre as razões que levam às divergências na medição, Fernando Cruz, diretor executivo da Ceam, afirmou que “muito dificilmente ela seria a mesma com dois sistemas diferentes” e que seria “uma impossibilidade técnica”. Nos últimos meses, executivos da RTP dirigiram duras críticas ao novo modelo, afirmando que ele não era confiável. Em estudo encomendado por ela à Ernst & Young, a estatal aponta que houve períodos em que o sistema da GFK mediu 0 espectadores em alguns locais, como no jogo de futebol entre os times Guimarães e Benfica, no dia 20 de fevereiro quando, durante 20 minutos, nenhum espectador foi identificado pelo sistema.

O diretor executivo da Ceam, no entanto, critica o estudo e sugere que lhe falta credibilidade. “A afirmação da RTP deveria ser suportada por uma caracterização metodológica do estudo para que o mercado e a opinião pública pudessem avaliar a credibilidade técnica das condições em que o estudo foi efetuado”, disse em entrevista ao propmark. Segundo o Comitê, os sistemas das duas companhias são semelhantes. O que mudou de forma significativa por meio de audiomatching foi a tecnologia de recolhimento, com a passagem da analógica para a digital. O contrato da GFK com a Ceam tem duração de cinco anos. Sobre o clima de animosidade, o comitê afirma tratar o assunto com “tranquilidade”. “Sempre vão existir vozes contra, faz parte dos processos existir resistência à mudança”.