Por Armando Ferrentini, fundador do propmark
Publicitários como Flavio Waiteman, Claudio Kalim, Eduardo Simon, Antonio Fadiga, Rodolfo Medina, Fábio Rosinholi e Vitor Barros, entre outros, renovaram o ciclo de agências de publicidade independentes no mercado brasileiro. Eles trouxeram uma outra visão do que é ser uma agência indie (que valoriza a liberdade criativa e foge dos padrões preestabelecidos), sem amarras com grupos globais, com capital nacional e modelo moderno.
As operações continuam sendo agências de dono, que trazem aquela dita proximidade maior com os clientes, mas com muito menos personificação que no passado, na época de nomes como Washington Olivetto, Nizan Guanaes e Roberto Duailibi, só para citar alguns. Havia aquelas, até, que levavam os nomes dos donos, como a W ou a DPZ, sigla das iniciais dos lendários Duailibi, Petit e Zaragoza.
Hoje, mais do que a força do nome dos sócios, valem muito a agilidade na resposta para os problemas dos clientes, autonomia de gestão e velocidade de decisão. Os atributos fazem um contraponto com as muitas camadas de aprovação das holdings globais que, por outro lado, concentram redes de agências de publicidade e, portanto, estruturas complementares.
Para fazer frente à concorrência dos grupos, no entanto, as indies provam que podem ampliar suas estruturas por meio de aquisições e reposicionamentos próprios. A Galeria.ag, de Eduardo Simon, por exemplo, vem adquirindo várias empresas desde o seu lançamento, em 2021, com o objetivo de oferecer soluções completas, formando a Galeria Holding. A Galeria já ocupa a terceira posição como maior agência compradora de mídia do país no ranking do Cenp-Meios.
A maioria dos novos donos de agência tem em comum trajetória em grupos internacionais e sabem exatamente onde aperta o calo dos clientes. Caso de Flavio Waiteman e Claudio Kalim, fundadores da Tech & Soul (lançada em 2017), que desponta também por sua reputação criativa (tem sete Leões no currículo).
A Artplan é outro case. Uma das maiores agências brasileiras com capital 100% nacional, possui (apenas) cerca de 400 colaboradores, com sedes em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Fundada em 1967 por Roberto Medina (criador do Rock in Rio), passou por uma renovação profunda nos últimos anos com a chegada de Antonio Fadiga como sócio e a ascensão de Rodolfo Medina.
Além de preservar o DNA nacional, Fadiga e Rodolfo fizeram um rebranding do antigo Grupo Artplan, nomeando-o para Grupo Dreamers, em 2020, com a união de empresas de várias especialidades. E trouxeram nomes de peso do mercado, como Gláucia Montanha e o criativo Rodrigo Almeida (conhecido como Monte), elevando a reputação criativa da Artplan, que ganhou dois Grand Prix nas duas últimas edições do Cannes Lions com o famoso projeto ‘Nigrum corpus’.
Fundada em 1965, a Propeg é outra agência brasileira independente com décadas de história que se mantém atualizada e com reputação criativa. Comandada por Vitor Barros, filho do fundador Fernando Barros, tem participação na WPI, rede internacional que reúne cem agências independentes em 50 mercados.
Por fim, e não menos importante, a We surgiu em 2002 com a ideia de “ser uma agência colaborativa, coletiva, leve e viva” pelas mãos de Fabio Rosinholi, e hoje também se estrutura em grupo, com a formação do Grupo We, que tem Rosinholi e Beto Campos como co-CEOS. Reúne empresas como We, IDK e Content Club.
Agências independentes, sem estarem sob o guarda-chuva de um grande grupo, concorrem de verdade, o que é bom para o mercado e ainda por cima geram empregos, ao contrário dos cortes que sempre ocorrem em fusões e aquisições empresariais.



