Em busca da felicidade

Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da Criativista

Acompanhar os fatos, hoje em dia, é um exercício de resiliência e desconsolo. Os líderes de alguns países ditos desenvolvidos passaram a adotar uma postura, ora imperialista, procurando formas violentas de dominação, ora de insensibilidade e xenofobia, desprezando formas de cooperação mútua. Quando foi que a humanidade passou a se desviar de um caminho promissor, baseado nos princípios de cooperação, respeito socioambiental, ética e transparência?

Não devíamos – todos – estar empenhados em melhorar a vida na Terra? Não devíamos acreditar nas ameaças climáticas (que já deixaram de ser ameaças e se tornaram realidade)? Não deveríamos lutar pela redução da desigualdade e por condições mais dignas em todo o mundo?

Por um momento, esse caminho virtuoso parecia prevalecer, mas, de repente, líderes negacionistas, insensíveis, egoístas, passaram a dar as cartas e, pelo seu poder econômico e militar, geram uma onda de nacionalismo exacerbado e de xenofobia cruel.

Não sei você, mas eu me surpreendo todos os dias com as atitudes desses governantes, num misto de incredulidade e estupefação. Como deixamos isso acontecer? Para não parecer apenas xororô, deixo a geopolítica de lado e parto para uma análise mais próxima do nosso dia a dia.

Vejo gente do bem se insurgindo contra esse estado de coisas e tentando fazer algo na sua empresa, no seu setor. Recentemente, coordenei um estudo liderado pelo Sinapro-MG, envolvendo as principais agências de publicidade de Minas.

Foi um exercício de design thinking, pelo qual diretores de agências de publicidade foram estimulados a apontar caminhos para uma melhor atuação das suas empresas e do setor da propaganda como um todo. Um dos insights apontados foi a necessidade de melhorar o ambiente nas agências.
Houve um tempo – que, felizmente, vivi – em que as agências eram lugares dos mais desejados pelos recém-formados. Trabalhar em agência era cool, garantia de momentos agradáveis no dia a dia. Não que se trabalhasse menos do que em outros setores. Trabalhava-se muito! Mas o ambiente era lúdico e a relação entre os colaboradores alegre e produtiva.

Desse tempo para cá, porém, as agências são vistas como lugares de pressão constante, de trabalho insano, sem respeito a horários. Não à toa, vemos as agências penando para atrair e manter talentos. A geração Z até valoriza a criatividade, mas se assusta com a expectativa de pressão exagerada que as agências representam hoje.

Para Aristóteles, a felicidade deveria ser o fim supremo da vida humana. Como podemos ser plenamente felizes, convivendo com tanta insensibilidade ao sofrimento alheio? Na minha catequese ESG é comum escutar argumentos irritantes.

Como o debate sobre propósito de marcas, que aconteceu no último Cannes Lions, quando Byron Sharp — professor do Instituto Ehrenberg-Bass —afirmou que os dados mostravam que ninguém jamais escolheu uma marca por causa de seu propósito, acrescentando que gastar o dinheiro dos acionistas com “sua instituição de caridade favorita” era algo “completamente imoral”.

Por outro lado, estudo recente da S&P, junto às 500 maiores empresas americanas listadas na Bolsa, demonstra que as melhores performances são daquelas em fase de maior maturidade ESG. Uma comprovação inequívoca de que atuar com respeito socioambiental e ética faz bem para os negócios.

Já a questão do propósito é só pensar além do lucro – está provado que o olhar das empresas também para o planeta e as pessoas não é excludente em relação ao lucro. A felicidade tem a ver com as nossas escolhas. Espero que saibamos escolher nossas atitudes de forma mais sensível e respeitosa. Só assim estaremos no caminho da felicidade.

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