O Reglab, centro de pesquisa em mídia e tecnologia, e a Melted Videos, label de entretenimento e cultura digital, anunciam a criação do Melted Culture Lab, laboratório dedicado à análise da cultura digital brasileira. A iniciativa busca transformar comportamentos, linguagens e conversas nas redes sociais em inteligência estratégica para marcas, agências e plataformas, diante do desafio de interpretar o grande volume de dados disponíveis no mercado publicitário.
O humor será o ponto de partida das investigações, com foco no papel dos memes como forma de entretenimento, informação e expressão social. A proposta do Melted Culture Lab é ir além das métricas tradicionais de engajamento para investigar os fatores culturais e comportamentais que explicam a repercussão de determinados conteúdos. Para isso, a parceria combinará a metodologia de pesquisa e a independência analítica do Reglab com o alcance, a base de seguidores e o acervo de publicações da Melted Videos.
O laboratório pretende investigar particularidades do comportamento digital brasileiro, incluindo a maneira como os memes são utilizados para expressar opiniões, fazer críticas e interpretar acontecimentos. A agenda de pesquisa também abrangerá as motivações que influenciam as escolhas dos jovens, os elementos visuais e criativos capazes de captar a atenção nas plataformas digitais e as tensões culturais e emocionais que impactam as decisões financeiras e de consumo das novas gerações.
“O mercado já usa o humor para gerar awareness e consideração, mas costuma parar aí. O meme vira holofote, e não fonte de conhecimento. O humor também organiza comunidades e faz circular valores: quando alguém transforma uma notícia em meme, está dizendo o que entendeu, o que rejeita e com quem se identifica. Esse comportamento aparece no conteúdo e na conversa dessas comunidades, e pode ser traduzido em dados e pesquisa”, explica Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab.
“Meme é coisa séria. Eles não mostram apenas o que achamos engraçado, mas o que reconhecemos como cultura”, afirma Yuri Zero, CEO e sócio da Melted.
Melted Culture Lab prevê primeiro estudo para 2027
Entre os primeiros projetos está o estudo “O Estado da Cultura Digital”, previsto para o primeiro trimestre de 2027. A pesquisa deverá mapear comportamentos, narrativas e mudanças de linguagem que marcaram 2026, com o objetivo de identificar tendências e antecipar transformações culturais e sociais para o ano seguinte. A iniciativa também prevê ampliar a oferta de pesquisas para o mercado publicitário, oferecendo subsídios para que marcas, agências e plataformas compreendam melhor os contextos culturais em que suas estratégias de comunicação estão inseridas.
Segundo a proposta apresentada pelas empresas, os estudos seguirão critérios de transparência e ética, preservando a autonomia do laboratório na condução das pesquisas e na interpretação dos resultados. As marcas envolvidas poderão optar por não divulgar determinado material, mas os estudos publicados deverão apresentar os dados e cenários identificados durante a apuração, mesmo quando os resultados não corresponderem às expectativas dos envolvidos.
“Entrar no mercado de tendências hoje exige muito mais do que monitorar hashtags ou rodar os mesmos levantamentos de sempre. Nossa ambição é decifrar os códigos por trás do ‘hype’, trocando a intuição por decisões baseadas em evidências. É isso que vai garantir que as marcas participem da cultura digital sem parecerem deslocadas”, afirma Pedro Ramos.



